Como surgiu o labOratório?
O labOratório nasceu de uma conversa entre amigos sobre música litúrgica. Partilhávamos um certo mal-estar em relação ao que escutávamos nas celebrações em que participávamos: pouca diversidade, pouca atenção aos diferentes tempos litúrgicos e, por vezes, pouca adequação à assembleia ou ao espaço celebrativo.
A sensação era simples: estávamos quase sempre a cantar as mesmas coisas.
Aos poucos, surgiu uma pergunta: o que aconteceria se reuníssemos pessoas que gostam de música num ambiente de oração e formação, dando-lhes condições para criar e interpretar música litúrgica? Que música poderia nascer desse encontro?
Foi desta pergunta que nasceu o labOratório.
A primeira edição
O labOratório’17 realizou-se no Colégio das Caldinhas e foi o ponto de partida desta história. Nasceu do desejo de um pequeno grupo de amigos, jesuítas e leigos, de criar um espaço simples e intenso para aprender a servir a liturgia através da música, em clima de oração e de comunidade.
A primeira edição reuniu cerca de 20 participantes num ambiente próximo e familiar, quase em modo de retiro. A formação prática, a vida celebrativa e a criação musical caminharam juntas, dando forma ao estilo que continua a marcar o labOratório: aprender fazendo, cantando e rezando em conjunto.
Aprender fazendo
No início da semana, os participantes aprofundaram alguns temas gerais, como a relação entre música e liturgia e o sentido do canto na celebração.
Ao longo dos dias, cada pessoa pôde desenvolver as suas capacidades musicais através de diferentes propostas:
labCanta, dedicado à técnica vocal e ao canto em conjunto;
labToca, destinado aos instrumentistas e à exploração de diferentes formas de acompanhamento e improvisação na celebração;
labCria, centrado na composição de novos cânticos, com acompanhamento personalizado de um tutor.
A aprendizagem acontecia de forma prática, através da oração, da celebração, do ensaio, da escuta e da avaliação conjunta do trabalho realizado.
Compor música para a liturgia
Um dos objetivos concretos do labOratório’17 foi criar novas músicas para a liturgia.
Algumas tinham sido escritas antes da edição e integraram um pequeno cancioneiro utilizado nas orações e eucaristias da semana. Outras nasceram durante o encontro, através de um processo de composição acompanhado por Francisco Tavares.
Os participantes receberam algumas indicações básicas sobre a estrutura da missa e o significado de cada momento litúrgico. Depois, foram convidados a compor diferentes partes de uma Missa Brevis: o ato penitencial, a aclamação ao Evangelho, o Santo, o Bendito e o Cordeiro de Deus.
Cada compositor dispunha de tempo, instrumentos e acompanhamento personalizado para testar e desenvolver as suas ideias. Ao final de cada dia, o grupo partilhava o trabalho realizado, recebendo sugestões e encorajamento dos restantes participantes.
Um momento especialmente importante foi o convite a rezar com as próprias composições. Cada autor procurou escutar a sua música não apenas como obra musical, mas como lugar de oração e encontro pessoal com Deus.
O que nasceu desta edição
No final da semana, foram selecionadas 17 músicas.
Algumas destinavam-se diretamente à celebração da missa; outras à Liturgia das Horas; algumas foram pensadas para celebrações mais solenes e exigentes; e outras aproximavam-se de uma linguagem mais popular, própria de grupos de jovens.
Esta diversidade procurava refletir a realidade das comunidades, diferentes na idade, na sensibilidade e na formação musical.
As partituras e gravações resultantes desta edição foram entendidas como instrumentos de trabalho. Não pretendiam ser obras definitivas ou perfeitas, mas sinais de que é possível criar música litúrgica diversificada, com densidade humana e espiritual.
Partilhar talentos, cultivar uma relação pessoal com Deus, receber acompanhamento técnico e manter liberdade interior para avaliar o trabalho realizado: foi assim que o labOratório começou.
Fotografias
A primeira edição ficou também registada em imagens, mostrando os momentos de formação, oração, composição, ensaio e gravação vividos no Colégio das Caldinhas.
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